Entenda como as tecnologias digitais transformarão o setor elétrico brasileiro

Desde o seu surgimento, ao final do século XIX, o setor elétrico brasileiro não passou por grandes transformações tecnológicas.

As principais mudanças ocorreram a partir do período que ficou conhecido fase de reestruturação, na década de 1990.

Desde então, inovações pontuais aconteceram e seguem aprimorando os mecanismos de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Tais mudanças visam a atender demandas como envelhecimento da infraestrutura das redes, redução das emissões de carbono e aumento do nível de exigência dos consumidores, entre outras.

Neste artigo falaremos sobre algumas inovações em energia elétrica e ajudaremos você a entender como elas transformarão a performance do Brasil no setor.

Boa leitura!

Conheça as principais inovações em energia elétrica

Entre as principais transformações digitais do setor elétrico brasileiro destacam-se as Redes Elétricas Inteligentes (REIs), também chamadas de smart grid

Trata-se de um conjunto de sistemas de distribuição e transmissão de energia elétrica dotados de recursos de tecnologia da informação e comunicação (TIC).

Tais sistemas apresentam elevado grau de automação e tecnologia agregada, de forma a ampliar sua eficiência energética e operacional.

Por essa razão, as REIs atendem a diversas demandas da sociedade moderna, tanto no que se refere às necessidades energéticas quanto em relação ao desenvolvimento sustentável.

Outra grande transformação tecnológica projetada para o setor elétrico brasileiro diz respeito ao modelo de negócios das empresas distribuidoras, entre elas Cemig, Light e CPFL. 

Atualmente focado na gestão de ativos, a tendência é que esse processo passe a ser centrado na prestação de serviços de alto valor agregado.

Nesse novo cenário, o destaque ficará por conta de aplicações e experiências voltadas para o consumidor.

Paralelamente, é importante destacar que essa mudança será possível justamente devido ao emprego qualificado da tecnologia digital, a partir de novos agentes, tais como:

  • medidores inteligentes;
  • sistemas de micro e minigeração distribuídas;
  • carros híbridos ou elétricos;
  • e sistemas computacionais de coleta de dados.

Tais dispositivos e sistemas englobam tecnologias de ponta como big data, data analytics e inteligência artificial, entre outras.

Consequentemente, eles tornam possível modernizar e agregar valor ao fornecimento de energia elétrica, um serviço reconhecidamente tradicional e tecnologicamente defasado.

Dessa forma, a consolidação das REIs impactará não somente as empresas e atividades relacionadas ao setor elétrico brasileiro. A maneira como o consumidor irá interagir com a rede também será afetada.

O emprego em massa de tecnologias inteligentes e de sistemas de comunicação e automação no setor de energia elétrica definitivamente resultará em grandes mudanças.

Saiba quais serão os impactos da tecnologia digital no setor elétrico brasileiro

Efetivamente, essa realidade permitirá que máquinas, equipamentos, residências, edifícios e até mesmo cidades sejam geridos e programados remotamente e de forma coordenada.

Nesse cenário, onde todos os objetos podem ser unicamente identificados, reconhecidos, localizados e endereçados, um novo horizonte de oportunidades se abre para as empresas.

A partir das mudanças provocadas pela tecnologia, os negócios são convocados para o desenvolvimento de inovações destinadas ao setor elétrico e permitindo a entrada de novos players no mercado.

Como resultado, a maior flexibilidade conferida ao setor energético brasileiro por meio das REIs ofertará novos serviços aos consumidores, com mais eficiência e qualidade.

Além disso, as pessoas poderão buscar alternativas que ofereçam melhor custo-benefício.

Logo, entre os impactos da transformação tecnológica da geração, transmissão e distribuição da energia elétrica podemos citar:

  • definição de tarifas diferenciadas, de acordo com as variações no horário de consumo ou no perfil do consumidor, por exemplo;
  • disponibilização do formato pré-pago para a compra de energia elétrica ou do fornecimento por mais de uma empresa distribuidora;
  • leitura digital remota dos quadros de energia, com monitoramento do consumo tanto pela distribuidora quanto pelo consumidor;
  • ativação e desativação remota do fornecimento de energia elétrica;
  • uso de sistemas de inteligência artificial para mapear os padrões de consumo, tornando possível a identificação de fraudes;
  • acionamento remoto e monitoramento do consumo dos aparelhos conectados à rede de energia elétrica, entre outras possibilidades.

Porém, é preciso destacar que a transformação digital na energia elétrica é um processo realmente demorado e custoso.

Ele envolve desde a adequação de leis, normas e regulamentações até a estruturação de uma cadeia industrial de fornecimento, capaz de suprir a demanda por esses novos produtos e serviços.

Acompanhe os próximos passos da transformação tecnológica em energia elétrica

Diante desse cenário, as maiores distribuidoras do país estão se mobilizando para promover esse salto.

As empresas já estão investindo em projetos que visam ao desenvolvimento e implementação piloto dessas inovações em energia elétrica.

A evolução do setor de energia elétrico brasileiro tem como base as tecnologias de transformação digital no contexto da indústria 4.0. 

Nesse contexto, o IEBT realizou, em parceria com o Sebrae-MG, um estudo sobre os caminhos desse processo disruptivo, a partir da metodologia do Roadmapping Estratégico.

Entre as conclusões do roadmap do setor elétrico brasileiro, está a previsão de que até 2030 já teremos redes e cidades inteligentes ativas no país.

Tal estimativa é possível ao considerarmos que o ambiente legislativo e regulatório seja favorável ao desenvolvimento tecnológico.

Finalmente, as contribuições do roadmap permitem pontuar que a transformação digital no setor elétrico brasileiro requer muito mais que inovações tecnológicas.

Concluímos que vários procedimentos já consolidados serão impactados, fazendo com que a quantidade e a velocidade da troca de informações seja muito maior em todas as esferas.

A partir de então, a interação com os consumidores será constante, assim como a disponibilização de novos produtos e serviços.

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